Blog de um brasileiro em trânsito
Memórias, lomos, incertezas e divagações.

31/12/2009

acabou

Há mais de um ano este blog acabou, a partir do momento em que "enraizei". Entretanto, ao invés de apagá-lo do cyberespaço, deixo os textos como lembrança de relatos de viagem (para a familia e amigos, bem pouco organizados ou didáticos) daqueles anos. Muitas das fotos já não podem ser vistas, ficam então somente as palavras.

É o final de uma longa e divertida jornada, e para quem quiser buscar os arquivos e dicas de cidades, segue a cronologia das moradas:

2003/04- Lisboa

2004/05- Ljubljana/Paris

2005/06- Istanbul/Barcelona

2007- Barcelona/Shanghai

2008- Shanghai/Melbourne

2009- Barcelona

27/11/2008

H2O

A Austrália é obcecada pelo tema da água. Sobre isso eu já tinha ouvido comentários, amigos que tinham morado aqui diziam que os australianos eram muito preocupados com isso e eram meio porcos ao lavar os pratos na pia da cozinha.

Eu achava que era um exagero, mas é impossível ficar indiferente ao tema, pois todos os dias, seja na rádio, televisão ou cartazes publicitários na rua, sempre há anúncios, avisos, recomendação de como economizar água.

A Austrália é um país-continente, infelizmente o continente mais seco do planeta. O que não colabora é o fato de ter um imenso deserto bem no centro do país, que não cria grandes rios de forma radial até o litoral. Apesar da costa leste ser tropical, e o estado de Victoria, onde fica Melbourne, ser bastante verde, isso não salva os níveis de reserva d’água.

A forma australiana de lavar pratos é, portanto, resultado de gerações inteiras ouvindo o dia todo sobre as restrições d’água.

Hoje em dia na rádio fala-se obsessivamente sobre a “ducha de 4 minutos”. As restrições têm uma medição, parecida aos níveis de ameaça terrorista dos EUA. Aqui se trata dos níveis 1 a 4. Cada estado tem a sua graduação e restrições diferentes.

No caso de Victoria, agora estamos agora no nível 3a, quase 4. Os cidadãos são autorizados a regar os seus jardins somente 3 horas por semana com o uso de trigger nozzles (não sei traduzir). As casas número par podem regar sábado das 6-9am ou 5-8pm, e as casas ímpares no domingo 6-9am ou 5-8pm. É proibido qualquer tipo de limpeza de janelas de edifícios, e a lavagem de carros que não seja feita em lojas especializadas.

Pois é, o tema é tão presente no dia-a-dia que você acaba entrando na onda da economia d'água, e os hábitos mudam completamente. Eu, que sempre adorei banho longo, tenho que me concentrar para poder lavar tudo rapidinho.

A água também é tema de discussão política na Austrália.

O caso mais polêmico diz respeito ao partido político chamado Australianos Contra a Imigração (Australians Against Further Migration), um partido fundado pelos pais do ator Jesse Spencer (que faz o papel de dr. Chase na série House), tem como diretriz a política de bloqueio da migração como forma de preservação do ambiente e recursos. A Austrália tem uma política de incentivo de migração profissional (skilled migration) que dá direito de trabalho a muitos profissionais que após receber um diploma em seus países, acabam preenchendo lacunas nos quadros profissionais. A Austrália sempre recebeu migrantes de todas as partes do mundo, e se imaginarmos que começou a ser ocupado no século XVIII pelos imigrantes irlandeses, as ondas migratórias sempre foram uma constante.

Apesar de ser um país formado pelos imigrantes, é fácil perceber o grau de preocupação com o tema, beirando a xenofobia e o racismo. Estima-se que em 2050, 25% da população australiana seja de origem asiática. Isso obviamente enerva a direita que não consegue imaginar o território sem estar ocupado ad infinitum pelas famílias irlandesas loiras que vieram há dois séculos.

Como essa parte da direita racista não pode chegar ao ponto de dizer claramente “não queremos migração asiática”, acaba portanto virando o jogo e criando um partido que se auto-intitula “eco-nacionalista”. A questão, então, acaba sendo colocada através da água e recursos naturais do país. O partido Australians Against Further Migration diz que enquanto houver restrições de água, toda e qualquer migração deve ser bloqueada, chegando ao absurdo de propor que os imigrantes dos últimos 10 anos deveriam ser deportados para seus países.

O partido já foi ridicularizado no próprio parlamento por parlamentares de partidos sérios, mas isso é um dos exemplos de como o discurso sobre a falta de recursos naturais pode abranger todos os aspectos da vida australiana.

O estranho é que o mesmo não se aplica para o uso desenfreado da energia. Os australianos, assim como os americanos, apesar de terem neste caso um sistema de transporte público impecável, adoram pegar o carro para ir até a esquina comprar qualquer bobagem. Enquanto isso, para a produção de energia elétrica, as usinas termo-elétricas trabalham a fundo e contribuem com o aumento da produção de gás carbônico (uma das maiores contribuições per capita do mundo).

A Austrália finalmente assinou o tratado de Kyoto em 2007 depois de tantos anos relutando com o tema no Parlamento. A eleição do governo de Kevin Rudd ajudou o lobby pró-Kyoto.

Isso tudo é para confirmar que sim, os australianos são uns porcos ao lavar os pratos. Com o ralo tampado, enche-se uma das pias com água morna e sabão, e depois de tirar a sujeira grossa do prato com a esponja, passa-se a louça pela água e sabão, e quase sem enxaguar, já vai direto ao escorredor. Acho que em muitos casos fica ali uma mistura entre sujeira e sabão que não deve ter um gosto muito bom, mas que em todo caso já faz parte da nouvelle cuisine australiana.

 

17/11/2008

Movembering II

Movembering is cool. It makes sense to be part of such "movement" in a country where you find heaps of guys who are movembering at the same time. Australians cities, including Melbourne are special for that. Everywhere you go you can see "Village People" style moustaches, and it's like time travelling to the 70s, especially cuz everyone is trying to grow moustaches with weird shapes on their faces.

If looking like Tom Selleck doesn't sound like an advantage, there is at least one direct advantage of doing so (besides increasing the awareness about male health problems).

Grill'd, one of the best hamburger restaurants in Australia, has the Mo promotion. During the month of Movember, you can get a hamburger for free EVERY DAY. Yes, that's right, one free hamburger per day during the whole month, all you need is to bring your face and your little pathetic moustache (in my case, so pathetic- trying to grow it, but it's just like some dirty little hair coming out).

The promotion is valid only from 2pm-5pm and 8pm-10pm.

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Aqui um exemplo de como anda o bigodinho, lah pelo dia 13 de novembro, dah pra ver todos os moradores da casa participando do Movember.

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Nesse dia preparamos o famoso "Drunken chicken", uma receita americana de churrasco onde o pobre frango acaba sentado numa lata de cerveja. Depois de abrir a cloaca o bastante para coloca-lo em pe, cobre-se o frango com uma mistura de temperos secos e coloca-se tudo na churrasqueira com o fogo não tão concentrado sob a lata. No nosso caso deu errado, aparentemente, e acabamos precisando coloca-lo no forno para acabar de assar...

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10/11/2008

In Mo we trust

"Movember (the month formerly known as November) is a moustache growing charity event held during November each year that raises funds and awareness for men's health."

O Movember é um evento muito pouco conhecido no Brasil e Europa. Muito mais divulgado nos países anglo-saxões, e criado na Austrália, a iniciativa de organizações de combate ao câncer de próstata, câncer de testículo e depressão masculina aproveita para levantar recursos de forma divertida.

Movember (“mo" ou bigode + november) faz com que os participantes deixem crescer bigodes durante o mês de novembro. A idéia é que cada um comece do “zero”, ou seja, que os participantes se barbeiem no dia 1 de novembro, e se inscrevam no site fazendo a doação de 10 ou 20 dólares para as fundações australianas. Além disso, a grande festa do final do mês, Gala Parté, realizada como a grande celebração dos bigodes, também arrecada fundos para os temas da saúde masculina.

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Nota-se que é um evento criado na Austrália, pelo número de inscritos no mundo todo, os australianos já passam facilmente dos 100.000.

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Para garantir a qualidade da breguice pregada pelo site, que facilita a identificação nas ruas dos participantes (“dodgy” em australiano- que pode ser traduzido por bizarro, mal-feito, beirando o "troncho"), existem regras que obrigam os participantes a não tentar disfarçar a iniciativa com barbas ou cavanhaques. O lance é parecer o Magnum mesmo!

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Todos os amigos aqui da Austrália estamos deixando o bigode crescer, tanto para ajudar as fundações, quanto para fazer alguma coisa típica australiana (já vi coalas, cangurus, pingüins, possums, já surfei - mas ainda não pulei de bungee jump nem de pára-quedas).

É uma forma divertida de conscientizar a sociedade para o problema da saúde masculina. Nas ruas de Melbourne, dá pra ver um monte de gente nos bondes deixando o bigode crescer, acho que a moda já é tão grande a ponto dos patrões estarem acostumados a deixar os empregados participarem do Movember sem problema.

A Turquia é aqui!

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06/11/2008

melbourne cup

Terça-feira foi feriado na Austrália. Um feriado bastante especial e estranho.

Foi o grande dia da Melbourne Cup, a corrida de cavalos mais importante do país, quando pessoas de todos os estados, há quase 150 anos, vêm a Melbourne para assistir à corrida. Tudo começou no sábado passado, quando aconteceram as primeiras eliminatórias. Terça-feira foi o grande dia, e apesar de eu não entender bulhufas de corrida de cavalos, pude apreciar a magnífica falta de bom gosto dos suburbanos australianos que, com o intuito de se vestirem elegantemente, acabam saindo pelas ruas como verdadeiras sub-celebridades bregas.

As celebridades da televisão até que se vestem seguindo os padrões da monarquia britânica. Mas como 100 mil pessoas não são nem ricas nem celebridades de televisão, acaba sobrando gente com mau gosto à solta pelas ruas. Os homens de terno à la máfia italiana (terno cinza e camisa azul, por exemplo), óculos escuros gigantes com a marca D&G escrita em letra garrafal na lateral, 2 kg de gel no cabelo e com os facilmente identificáveis sapatos claros – isso mesmo, o que caracteriza os sapatos masculinos para a Melbourne Cup são as cores branco ou bege, dá pra imaginar? – enquanto as mulheres colocam um vestido emprestado de tamanho diferente do seu, num sem-estilo retrô, e qualquer coisa que pareça com um ninho de pássaro na cabeça de qualquer cor que obviamente não combina com o resto.

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Sorte que estamos no começo de novembro, ao invés de sentir vergonha alheia, muita gente podia achar que aquilo era fantasia de alguma festa de Halloween.

03/11/2008

possum

More animal updates (it seems that Australia is all about that - it's not! but our interest is somehow focused on those creepy creatures). I promise to change the subject later.

More about possums. This is the picture of the possum that lives in our backyard. We actually got 3 of them, but this is the one that's not scared of us and we managed to picture. Sorry about the flash, we promise we won't harm any other animal during the writing of this blog.

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And this is a picture someone took in a street somewhere in Australia. It's so ridiculously funny that's hard to believe it's real. As the number below is a 1900, we guess it's a good joke. But if we consider that many foreigners in Australia have never seen a possum before, and could easily get confused and kidnap the poor creature inside of their houses for real. That would be hilarious.

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13/10/2008

marsupiais etc

Uma das coisas interessantes de morar na Austrália é poder ver animais bizarros e exóticos muito, muito próximos.

Os coalas são vistos em santuários, em lugares específicos por todo o sudeste do país (como tínhamos visto na Philip Island), porém também em lugares totalmente abertos, nas florestas de eucaliptos. Na viagem que fizemos pela Great Ocean Road, por exemplo, avistamos um coala quando passávamos por uma pequena estrada que levava a um farol antigo. Bastou descer do carro e prestar atenção em todas as "bolotas" penduradas dos galhos altos das árvores. Vimos sete coalas, todos na mesma área, e quase todos acordados (raridade) comendo as folhas das árvores.

Os cangurus também, estão espalhados por todo o país, e na Philip Island por exemplo, é fácil vê-los em grupos na ampla paisagem.

Aqui na frente de casa, no pier de St Kilda, há um santuário de pingüins. Ninguém sabe o porquê de um grupo de pingüins ter escolhido este local, muito próximo à cidade, com barcos a vela passando a cada 10 minutos, para instalar a sua colônia. O pier em concreto leva até um pequeno restaurante histórico da cidade, o St Kilda Kiosk, construído em 1903.

Dali um quebra-ondas em pedra paralelo à orla, hoje de acesso restrito aos cientistas e biólogos, abriga a colônia de pingüins, que segundo os cientistas é completamente autônoma daquela que faz o trajeto de Philip Island pela baía da French Island. Apesar disso, são da mesma espécie, a menor em estatura de todas as 17 existentes no mundo. As seis e meia da tarde, ao pôr-do-sol, os pingüins voltam da pesca e sobem nas pedras para tomar conta dos ninhos e ovos.

Penguin

O problema dos pingüins mais cosmopolitas, é que muitos acabam subindo nas pedras fora da área protegida, e viram atração turística para as dezenas de pessoas que cada dia aparecem com as câmeras e seus imensos flash. Ou eles gostam de aparecer e têm uma síndrome de Hollywood, ou são muito tontos por se aproximar tanto da cidade.

Porém o animal mais próximo é um de "estimação" que mora no jardim de trás de casa. Como moramos num térreo, nosso quarto dá para os fundos, a algumas vezes lá pelas 8 da noite, ao recolher a roupa do varal, é fácil ver um "possum" pendurado na árvore ou sobre a cerca do vizinho.

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Trata-se de um animal marsupial notívago, bastante agressivo pelo que nos disseram, e que se parece muito com o "opossum" da América do Norte. Parece algo entre um rato grande e um canguru pequeno, pela forma esticada, mas com muitos pêlos e uma cara bastante simpática. No entanto impossivel de aproximar-se dele.

A única coisa que ainda não conseguimos ver são os ornitorrincos (Platypus - pé chato- é o nome em Inglês), o ser mais bizarro e raro de todos. Quem sabe na road trip na East Coast de dezembro poderemos ver exemplares desse ovíparo mamífero “semi-aquático” com bico de pato.

05/10/2008

The Great Ocean Road

Kangaroosign

We just came back from a two days trip to the Great Ocean Road, one of the most visited areas around Melbourne. We left early morning in a pilgrimage of three cars, in total 14 people from the exchange of the Melbourne University, almost the same group that went to Philip Island, 3 weeks ago.

The road is said to be one of the most scenic coastline drives in the world. Considering the rain of the first day, we couldn't see any beauty on the way to Port Campbell, where we were supposed to sleep. Luckily the lack of precision of weather forecast in Victoria (I’ll explain with more details how weather works here in another post) the day after surprised us with a very sunny and pleasant day, when we were able to enjoy all the way back to Torquay and the incredible landscape of dramatic limestone rock stacks carved by the sea.

So, four of us decided to surf. Well, in my case was more a curiosity than a decision, since it was my first time ever to try something else than "floating" on the sea waters. I am not a water person at all, and still, when I first imagined how close I was from that possibility, me in Australia, trying to climb pathetically on a board... oh, then I made that nervous laugh.

I am in Australia, the land of surfers, the Mecca of surfing, the place where all surfers want to live and die, and I was in front of one of the famous spots for surfing in Victoria. WHY NOT?, I thought. All I had to do is spend 25 AUD to rent the board and the suit (the water, as you can imagine, comes directly from the tropical lands of Antarctica).

I had nothing to lose! Except a few fingers in the cold water, and my breath within big waves?

Wesurfers

Who said Keanu Reeves and Patrick Swayze in Point Break?

There I went, change, wear the mega huge black condom, grab the board, head to the beach, I should say that I was really looking like a professional. Outside the water I can pretend I am a good surfer, as you can see in the pictures below. Out of the water happens to be MY environment, where I am the king of the ground, oxygen and steady foot. The water... well, everyone was complaining that the waves were too low, the day was not helping.

I swear to you, even if you can't see pictures of me in the water, I REALLY DID IT. The problem is that the girls only took pics while we were outside.

I tried to surf, I stayed for more than 80 minutes in the water, trying to catch few waves (the sea was quite flat), but every time I managed to catch one, I ended up with my both feet out of the water, pointing to the sky and the board few meters away somewhere to the left side. I guess I was not made for it. I’ll try again, anyway, during our road trip from Cairns to Sydney during the summer.

The rest of the time we were driving along the Great Ocean Road, visiting the rocks, being The Twelve Apostles one of the most famous spots.

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The colors of the landscape changes continuously, and the fascinating stacked rocks on the sea, together with the emptiness of Australia and some interesting fauna (we've seen several koalas on their eucaliptus trees along the road, few kangaroos, colorful birds and one brave porcupine trying to cross the road) make this site quite unique.

Also famous is the Loch Ard Cave, where a ship called Loch Ard wrecked. It was a big strong ship, that left London in 1878 and arrived in Victoria 3 months later. Due to the tricky weather (again, mister captain, that's Victoria!) and the rocks along the coast, one night the Loch Ard smashed against the cliffs and 52 people died. The two survivors, Eva Carmichael and Tom Pearce managed to enter a narrow cave and survived after being rescued, becoming national heroes.


Another more recent story is the one of the “London Bridge”, a rock in shape of arches, that in 1990 collapsed, leaving two tourists isolated on top of the rocks in the middle of the sea. They had to be rescued by a helicopter.

This is how it looked like before the crash

and this is today

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22/09/2008

Melbourne

As últimas fotos de Melbourne. Finalmente depois de tanto tempo na cidade achando que se tratava de uma cidade genérica qualquer (a cidade em si parece qualquer coisa anglo-saxã à beira da praia), estes últimos dias pudemos ver coalas, cangurus, pingüins (tanto no santuário em Philip Island como aqui na frente de casa onde há também um lugar onde os pingüins vêm botar ovos), muita arquitetura vitoriana e uma aula que tivemos de bumerangue!

Sexta-feira alugamos duas vans e fomos (13 pessoas) à Philip Island, uma espécie de Arca de Noé da Austrália, a duas horas de Melbourne. Cangurus passeiam por toda a ilha (perigo, cangurus atravessando a pista), leões marinhos, pingüins e albatrozes vivem em grupos muito numerosos, e há um santuário para os coalas.

O santuário dos coalas http://www.phillipisland.net.au/koalas/koalacentre.html é um lugar que foi transformado em reserva para alguns espécimes (8 fêmeas e um macho - para evitar problemas de briga, somente pode haver um macho), e a maioria dos animais fica a mais de dez metros de altura, no topo das arvores, onde passam quase 20 horas por dia dormindo. A base da alimentação sendo o eucalipto, a pouca energia ingerida não lhes permite mover-se muito. A exceção foi um coala doidão que fez questão de se mostrar e fazer pose quando quase estávamos indo embora do parque. Olha aqui um vídeo dele:

Os pingüins voltam do dia de pesca exatamente logo apos o sol se pôr. Às 6:30 da tarde. Compramos a entrada que dá direito de sentar numa espécie de arquibancada na frente da areia, tudo muito controlado pelos biólogos do centro para não alterar o cotidiano dos pingüins. Trata-se da menor espécie de pingüins do mundo, têm apenas 30 cm de altura. Ao vê-los sair da água são realmente muito muito pequenos, são centenas deles, se organizam em grupos (têm medo de atravessar a areia sozinhos com medo de algum predador), e se espalham pelos inúmeros ninhos feitos pelos machos para que a fêmea bote os ovos. É muito legal ver os pingüins socializando em terra. Altos pios e barulhos para identificar o parceiro, enquanto outros acasalam (muuuuuitas vezes por dia) e brigam com os que se aproximam de seu ninho. Este ano fez muito frio, e os pingüins botaram ovos muito cedo, acabaram todos mortos. Terão que esperar o começo da primavera real, daqui a um mês, para botar outros. Essa espécie de pingüins somente vive na região de Melbourne e Tasmânia, não fazem nenhuma escala na Antártida, já são completamente "tropicalizados". A mesma espécie de pingüins, numa colônia muito menor, instalou-se no pier na praia de St Kilda, ninguém sabe a razão, pois o burburinho equivale à praia de Ipanema do Rio. Muitas pessoas, luzes e barcos passando todo o dia, mas mesmo assim há uma área do pier ocupada pela colônia de pingüins.

E ontem telefonamos para o mestre Miyage do bumerangue, Bruce Carter, um treinador de bumerangue profissional. Ele vende bumerangues, e viria a St Kilda fazer não sei o quê, e pedimos para ver os tipos que ele teria para vender. O legal é que isso acabou numa aula completa, e posso dizer que VOLTA mesmo! Compramos uma versão em madeira e outra em plástico (mais porcaria, mas é flexível, flutua na água, tem muitos convenientes), e estamos prontos para ensinar aos amigos. Uma das fotos do álbum é durante o treino e a flecha vermelha aponta para o bumerangue no meio de seu percurso.

Esta semana tenho que comprar ingresso pros shows de Philip Glass e Goran Bregovic, em outubro. Também em outubro, o Ferran Adrià vem lançar um livro e faz uma palestra. Como quase tudo em Melbourne, é pago, e para variar, é caro. 40 dolares só para entrar e vê-lo falar. Fica pra próxima!

Beijing

Então, Beijing.

Lá fomos em direção à “civilização” logo após a viagem pelo interior da China perdida de minorias étnicas e montanhas.

A chegada em Beijing não poderia ser mais impactante com o novo terminal do aeroporto, projeto de Norman Foster, um imenso edifício capaz de receber 60 milhões de turistas ao ano. Feito muito às pressas, a forma linear em planta faz referência à forma de um dragão, onde a cabeça, o terminal de embarque e desembarque é uma gigantesca cobertura única com vãos poucas vezes realizados em aeroportos.

O mega-investimento da cidade na sua preparação para os Jogos era vista claramente no caminho ao centro. Pegamos um ônibus do aeroporto até o albergue, num dos hutongs da cidade. Tudo era impecável, limpo, verde, parecia que havíamos aterrisado num país diferente. Conhecendo as cidades chinesas, digamos que a impressão mais positiva do processo é imaginar que a cidade chinesa, mesmo mantendo as suas características volumétricas, estéticas, formadas durante o boom construtivo dos anos 80 e 90, sem qualidade, pode ser transformada em seu invólucro e passar uma imagem completamente diferente. Os espaços públicos estavam limpos, a iluminação pública era abundante, as calçadas refeitas, milhares de novas árvores plantadas em todas as ruas, e a maior surpresa de todas: a inexistência da camada cinza de poluição onipresente em todo o país.

Para chegar a tal resultado muitas ações pouco democráticas foram tomadas, e tendo em vista a vontade política de fazer o melhor possível, não havia quem pudesse se opor às decisões do governo: expulsar todos os imigrantes que não estivessem inscritos em Beijing (a proibição dos fluxos migratórios dentro da China, usado pelo governo para evitar ainda maior boom das cidades, é estabelecido através da inscrição dos cidadãos em sua cidade natal – a maioria podendo somente migrar dentro da própria província – porém milhões vão às grandes cidades em busca de oportunidades, apesar dos riscos). Outras decisões incluíram a proibição de qualquer vendedor ambulante (tão característicos de qualquer cidade chinesa), mendicância, uso restrito de bicicletas nos grandes eixos, o rodízio dos carros particulares (num sistema par/ímpar que eliminava 50% do trânsito na cidade), e o fechamento das fábricas da periferia da cidade durante os Jogos (e inclusive o deslocamento de muitas metalúrgicas para outras províncias).

Tenho um pouco de preguiça de escrever sobre Beijing (justamente porque fiz um texto para um outro site sobre a arquitetura dos Jogos, ainda não publicado), mas o resumão é uma boa surpresa de conhecer a Cidade Proibida, o Palácio de Verão, além dos edifícios realizados para os Jogos (contam o Estadio de Natação e o Estádio Nacional – o Ninho de Pássaro – pois os outros edifícios do Parque Olímpico não merecem nenhuma linha de comentário).

Também surpreendente foi ver uma cidade que soube combinar, muito mais do que Shanghai, as suas referências antigas com a cidade contemporânea. Como toda a China, Beijing também foi alvo da Revolução Cultural, onde 80% de seus monumentos foram destruídos, e pelo fato de ter sido capital imperial guarda edifícios de importância única na cultura chinesa. A cidade é muito mais horizontal do que qualquer outra na China (o que a faz muito grande em extensão). Isso também tem suas razões: Beijing havia proibido durante séculos que qualquer construção fosse mais alta do que a Cidade Proibida, exceções sendo feitas agora.

Uma viagem de aventura com os amigos foi um belo presente para o final do “pacote” China. Uma das partes mais divertidas era a Valentina tirando da mochila uma frase em chinês, impressa e plastificada (ela tinha 3 unidades, em caso de emergência ou perda), para alertar os garçons dos restaurantes que ela é alérgica ao alho. Pedi a uma amiga chinesa para escrever a frase, e enviei à Valentina por email. Depois de alguns dias nos demos conta de que se tratava de uma mensagem muito mais dramática do que o necessário: "Favor não colocar alho na minha comida. Minha vida corre perigo. Obrigada!”. De todas as formas duas ou três vezes a coitada acabou sofrendo as dores de barriga resultantes do pouco caso feito sobre a mensagem em alguns restaurantes.

Enfim, agora Austrália, posts atrasados, já vi canguru, coala, pinguim. Logo logo escrevo!

Yunnan Lomos

These are the lomos made during the trip to Yunnan Province and Beijing.
LCA, Fuji Sensia 100, X process.

21/08/2008

Yunnan trip

Between the arrival from Shanghai and the Olympics in Beijing, we took 10 days to visit for the first time the Yunnan Province, in the Southwest of China, bordering Myanmar. The region has the biggest number of ethnic minorities, divided in areas that include tropical zones (touching the borders with Laos and Vietnam), while the northern part concentrates the mountains and espectacular landscape.

We decided to go north, till we reached Zhongdian, the so called Shangri-la, according to some people the place that inspired James Hilton to write his book Lost Horizon.

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This is the view of the Tiger Leaping Gorge, one of the most magnificent places we've visited, one of the deepest gorges in the world, the Yangtze river is surrounded by mountains up to 2000m high (considering that the river in that area is already around 2400m from the sea level). Tough to breath, but hiking around those mountains was one of the highlights of the trip.

14/08/2008

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Familia reunida: pais, tios, irmão, sobrinho, sogros do irmão, todo mundo num almoço espetacular neste restaurante.

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As minhas havaianas!

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Em Ronda, Andalusia

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Viramundo

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Dizer que meu sobrinho é o ser mais tranquilo, fofo e divertido do planeta é redundância de tio coruja?????

06/08/2008

china-EU-china

It’s such a long time that... 

we went to Hong Kong, that was for the first time. I was amazed by that city, loved so many aspects of it, but didn’t have time to share here in the blog the pics we took.

 

we left the apartment of Shanghai, sold every furniture, send the cat back to Europe, left the job.

 

I went to Barcelona, spent time in health check-ups, doing all papers needed, visas, etc.

I went to visit my family in Malaga, spent time with my parents, brother and his family, uncle, relaxing at the beach, visiting small towns.

 

I went back to Barcelona, to see friends, do more papers, and the worst bureaucracy ever: the tourist visa for China. I had to apply for a tourist visa this time, since my working visa was expired. Sending the passport to Brazil to do the visa at the Chinese Consulate in Sao Paulo was the worst part, but thanks to friend's help and Fedex, I got it just in time.

Finally everything went well, with the help of friends in China, Europe and Brazil.

 

So here I am now, in Shanghai , soon boarding to Kunming, where we’ll be doing a tour around the mountains of the Yunnan Province.

 

Back to Beijing on the 15th, to see some of the Olympic events.

 

Will try to post and organize pictures.

13/06/2008

news

Foi quase um parto mas tá confirmado: o visto da Austrália foi aprovado!!! Valido por 6 meses, turista em Melbourne, a partir do 27 de agosto, quando pegamos o vôo de Shanghai, logo depois de ver alguns esportes dos Jogos Olímpicos.

*****

Na loteria feita pelo governo no ano passado para moradores da China, tivemos a sorte de sermos sorteados para ver natação, ginástica e um dos dias da final do atletismo. Beijing está com preços absurdos para agosto, e a única coisa que conseguimos foi um apartamento pequeno por um preço ridiculamente caro. Seremos 5 pessoas dividindo um apartamento de um quarto. A cama inflável, será que cabe na cozinha?

*****

Pouco tempo para escrever no blog. Saco cheio de viver neste ambiente poluído da China misturado com aquela sensação das últimas semanas morando aqui, de querer aproveitar ao máximo as coisas que não vi ou repetir as coisas boas da cidade. Shanghai, no fim das contas, tem muitos lugares interessantes. Demoramos para achar todos, e a verdade é que eu acho que sentiremos saudades de muitas coisas daqui. Paradoxo, não? Viver na China “amansa” o sentimento de sinofobia tão presente na ignorância do mundo ocidental por tudo aquilo que não é ocidental, ao mesmo tempo em que aumenta a vontade de mudanças políticas urgentes, fim da censura, fim da perseguição de vozes pró-direitos humanos, como resultado da convivência do dia-a-dia com chineses. No entanto, a impotência do indivíduo estrangeiro e a manipulação dos fatos pelo governo, exercida há mais de 50 anos (o que faz os chineses duvidarem da nossa palavra e opinião), faz com que nos demos conta de que não ha a mínima possibilidade de que as mudanças aconteçam radicalmente, e tendo em vista um país com uma história de 5.000 anos, então é melhor sentar para esperar.

27/05/2008

lomos japan

Made in Japan

These are the lomos made with LCA

Holga

and Super Sampler


All x-process, Kodad Ektachrome 100 ASA.

Click to enlarge or check out the Picasa album below.

25/05/2008

Day 05 - Kyoto

After arriving in Kyoto in the evening, we slept at the cozy Crossroads hostel

There are only 3 rooms, but Sachiko Mori, the owner of this lovely place keeps the Japanese-style rooms perfectly clean and set for an excellent night of sleep.

The next day we rent bikes (1000 yen per day- that means delivering it back up to 6pm), and this is definately the best way to go around the city.

Kyoto is an amazing mix between the old town and its hundreds of shrines, and the modern city with excellent infra-structure and a clean clean air (we got tanned and we've seen the blue sky - coming from China, where that's quite rare, we felt sooooo relieved).

Check the pics.

Day 06 - Tadao Ando's Garden of Fine Arts and the Kyoto Train Station by Hiroshi Hara.

19/05/2008

Dia 04 - Takaragawa Onsen, Minakami

No quarto dia de Japão, depois de ter visitado quase tudo o que foi possível em tão pouco tempo, precisávamos de um descanso. E uma parte obrigatória de uma viagem ao Japão é a visita de um onsen (banhos termais japoneses). O Japão conta com mais de 1000 fontes de água quente em diversos pontos do país.

Dizem que de todos os aspectos da cultura japonesa, o que mais se destaca por ser típico e restrito ao Japão, não tão conectado ao restante do continente asiático, é o banho. A culinária (embora eu discorde muito desse ponto, os chineses não comem nada cru), os palitos para comer, a estética dos edifícios, os protocolos, digamos que há uma certa conexão resultante do intercâmbio milenar entre as culturas japonesa, coreana e chinesa, apesar de hoje em dia por fatores históricos todos se odiarem mutuamente.

O banho, então seria característico do Japão por uma benção da natureza que deu de presente ao país dos abalos sísmicos as fontes de água que aparecem na superfície na montanha, ao lado do mar, em cavernas subterrâneas, para todos os gostos e alcances.  (vindo da China, admito que realmente o banho não é o forte deste povo do lado continental, mas deixa pra lá, senão me acusarão de preconceituoso).

Os japoneses integram os banhos no seu cotidiano indo aos ofuros de bairro, deixando o onsen, de acesso mais difícil, para os dias especiais do fim de semana. Há onsens inclusive dentro do perímetro urbano de Tóquio, mas queríamos experimentar algum que nos desse a oportunidade de conhecer cidades menores. Procurando na internet, um dos mais bonitos do Japão e acessíveis desde Tóquio de forma relativamente fácil, era o Onsen Takaragawa.

Localizado nas duas margens de um rio num vale de floresta bastante densa, a viagem de quase 3 horas entre trem e ônibus valeu cada minuto e centavo.

Onsenpanorama_2

Clique na foto para ampliar. Panorâmica feita com a Lumix.

Os visitantes de Takaragawa normalmente combinam a visita com uma noite num dos famosos ryokan da cidade, onde a experiência de dormir nos quartos tipicamente japoneses parece ser sublime, mas nós tínhamos reservado a noite num hostel em Kyoto e podíamos passar somente o dia no onsen. Mesmo assim valeu muito a pena. O onsen tem uma posição privilegiada, as piscinas de água quente são muito grandes e acomodam facilmente o número bastante grande de habitantes de Tóquio que vêm de carro e aparecem logo cedo trazendo toda a família.

A parte menos confortável é o entendimento do protocolo de um onsen. Teoricamente a água dos banhos é quase sagrada, e deve-se entrar nela depois de um bom banho. A toalha não deve entrar nunca em contato com a água, ou seja, o costume diz que todo mundo deve estar completamente nu. Era um onsen misto, e embora a cultura japonesa tivesse sempre tido a tradição de todos nus, depois da Segunda Guerra Mundial os americanos impuseram uma “moral” dos onsens separados homens/mulheres, ou ao menos obrigando as mulheres a cobrirem o seu corpo com a toalha, que nunca é retirada.

Situação bastante bizarra, pois ao experimentar uns dias de Tóquio, apesar da loucura dos limites que a sociedade se impõe e a forma como estes são transformados e subvertidos, eu continuava imaginando que eles seriam bastante pudicos.

Num onsen, tudo muda.

Os homens andam peladões, nem se dando ao trabalho de cobrir a genitália com as minúsculas toalhas alugadas pelo onsen, as crianças pra lá e pra cá, as mulheres cobertas, mas muitas delas também completamente liberadas peladonas. Parecia um camping de fim de semana de Woodstock, mas na verdade aqueles eram japoneses comuns, os mesmos que víamos no metrô de Tóquio, recuperando as profundezas da cultura milenar, sendo o onsen somente uma de suas faces.

A água a 46°C não é fácil de ser lidada. Ao entrar de forma muito rápida, o corpo responde com uma “leseira” imediata. O ideal é entrar aos poucos, e quando tiver muito calor, sentar numas das pedras e manter somente os pés na água. As águas de Takaragawa contêm minerais de todos os tipos benéficos à saude. A beleza do lugar ja é um recarregador de baterias incrivel. Foi um dos dias mais relaxantes dos últimos anos.

How to get to Takaragawa Onsen

You can take a direct limited express train from Tokyo all the way to Minakami and transfer to the Takaragawa bound bus there.

Bus departures from Minakami Station to Takaragawa Onsen: 7:32, 9:47, 11:40, 14:25, 16:25. The bus is expensive, it costs 1100 yen.

18/05/2008

Day 03 - Capsule Hotel and Akihabara

We wanted to spend the last night in Tokyo sleeping in a Capsule Hotel, one of those "coffin" hotels.

There are several in Tokyo, used by those people who lose the last train and need cheap acommodation in the city.

The one we wanted to try is the Capsule Inn, which is in Akihabara, the electronic area. We were looking for some Manga stores, and we've found in the area the "Donki", one building with several storeys packed with lights, pachinko, gadgets, sex shops, video games, fetish costumes, and one strange bar (there was a long line in front of it), where otakus (manga fans) can be served by waitress dressed as their favorite character of manga. Quite weird and funny to see so much stuff piled in one place.

The Capsule Hotel was nice. There are several protocols before going to bed. 1) Leaving the shoes inside the shoes locker at the entrance. 2) Leaving the big luggage at the reception, attached to the shelves with a wire and a locker.  3) Going to shower, leave smaller objects in a locker on the second floor. 4) The shower has one kind of ofuro, boiling water where you are supposed to enter after you washed every corner of your body while sitting on some child-size stools. 4) Finally, after a great shower and wearing your robe, go to your floor, were you'll find a row of capsules 1m X 1m X 2m, where you are supposed to spend a night. Inside you have your tv, radio, alarm clock, everything designed to appear futuristic in the 1970s. It means, as Toni said, "retro-futuristic"; however paradoxical this sounds.

You know what? Probably one of the best futons I've slept in my life. I was tired, that's true, but I slept like a rock. Next morning, the 1970's alarm clock woke us up to hurry to Ueno to catch the train to go to Minakami, the Onsen day was just starting.   


 


16/05/2008

Dia 3- Tokyo- Bagus Gran Cyber

Imagine uma casa da sogra cibernética.

Isso é o Bagus Gran Cyber. Os japoneses estando na ponta de lança de tudo que é tecnologia + serviços + espaços urbanos “alugáveis” para fugir dos apartamentos minúsculos, acabaram reinventando o cyber café.

Estávamos procurando um lugar para ler e-mails em Tóquio, digamos, um cyber café normal. Em Shibuya perguntamos a alguns adolescentes usando mímica (ninguém fala Inglês no Japão, nem os adolescentes!!...isso nos impressionou muito!), e nos indicaram o Bagus, que fica num dos andares de um edifício comercial.

Ao chegar, a surpresa: uma recepção parecida com a de um hotel e corredores. A decoração do lugar toda escura, elegantemente escura, parecia um projeto do Jean Nouvel. Dissemos que queríamos usar internet, e nos mostraram uma tabela de preços. Caríssimo. Era quase o dobro de qualquer outro cyber do mundo (1000 yen, 6 euros, 14 reais). Quase indo embora, o recepcionista nos disse a lista de coisas disponíveis. Decidimos ficar.

O conceito é interessante. Você quer privacidade? Terá privacidade. Você quer internet, mas também quer televisão, filmes, e videogames? Terá tudo isso. Você quer conforto? Chinelos e roupões estão disponíveis para você se sentir em casa. Tá com vontade de beber alguma coisa? Bebidas de todos os tipos imagináveis, além de sorvete de máquina estão disponíveis de forma livre, sem pagar um centavo a mais.

Depois de pegar a chave, prateleiras imensas lotadas de DVDs e jogos levam ao corredor das bebidas. Há uma área exclusiva para mulheres, que podem ficar tranqüilas sem tarados ou loucos bisbilhotando a sua vida. Para o outro lado, corredores com dezenas de portas. Tudo é pintado de preto, o que permite um ambiente bastante confortável para aqueles que querem tirar um cochilo (que é o caso de uma graaaande parte das pessoas no Bagus). As cabines individuais e portas estão a uma altura de 1,80m, suficiente para manter a privacidade de quem está dentro, mas permitindo a verificação dos funcionários em caso de problema. Deixam-se os sapatos do lado de fora da cabine.

Dentro, um chão acolchoado de couro pode ser usado como cama. É tudo minimalista e certeiro. Cada cabine tem um computador e uma Play Station, e no desktop dos computadores uma gama enorme de filmes, acesso a internet e jogos.

A experiência foi bizarra. Estivemos mais tempo tentando entender o protocolo de tudo aquilo, pegando cappuccino grátis na máquina e sorvete de creme, que pouco tempo sobrou para o e-mail, aqueles 60 minutos passaram voando.

Os japoneses usam esse espaço como a sala da casa que falta nos seus apartamentos. Podem passar horas ali dentro, vendo filme, trepando, jogando videogame sozinhos ou em dupla, inclusive dormindo se acabaram perdendo o último trem para casa. Vimos duas garotas adolescentes que alugaram um home theatre. Trata-se de uma sala grande com um mega plasma e DVD e um sofá muito confortável. Uma maneira interessante de poder assistir ao programa predileto, ou até mesmo filme pornô sem a presença da família no ambiente apertado de um apartamento típico de Tóquio.

Há vários cybers Bagus na cidade. Site do Bagus aqui.

Dia 3 – Japan Freaks Part 02

Então chegou o dia de presenciar a tão famosa área dos adolescentes que, em plena crise de identidade, acabam criando mundos paralelos e inventam personagens, cuja personificação acontece de modo coletivo na entrada do parque Yoyogi.

Tínhamos uma passagem para Sendai para visitar a Midiateca nesse dia, mas devido ao atraso causado pela visita a Yokohama, acabamos cancelando a viagem e decidimos dedicar mais tempo ao Parque de Yoyogi e os freaks de Harajuku.

Harajuku01











Alguns dos casos desses adolescentes que vêm dos subúrbios de Tóquio cada domingo passar uma tarde com os “colegas” em Harajuku foram em algum momento hikikomori. Hikikomori é o nome que caracteriza o isolamento por períodos em média de seis meses na casa dos pais e em exclusão social e educacional, resultado de problemas familiares e sociais; estima-se que possa haver mais de um milhão de hikikomoris no Japão. O fato é que a existência dos grupos naquele lugar especifico funciona de maneira simbiótica. A horda de turistas tirando fotos não existiria se não fosse pela disposição dos adolescentes Harajuku em fazer poses. A autoconfiança (mais do que os meros “minutos de fama”, pois aquilo continua sendo anônimo e dura longos períodos da vida de cada um ) é a base do impulso que os leva religiosamente cada domingo (ou até mesmo durante a semana) ao parque.

Harajuku02











Livrar-se temporariamente da vida medíocre numa periferia qualquer da cidade, esquecendo dos problemas sociais resultantes das centenas de crises existentes na sociedade japonesa, e tendo em vista a dificuldade dos jovens de lidar com elas, resulta nesse fenômeno que parece estar radicado, retro-alimentado e restrito ao Japão.

Galera














As fotos são um exemplo disso. As garotas (que sao 90% de Harajuku) são bastante sociáveis, a não ser em momentos em que parecem estar descansando, quando se ofendem se alguem quiser fotografá-las.

O paradoxo maior é entrar no parque e visitar um dos templos xintoístas mais importantes da cidade, a meros 3 km dali.

Naquele dia tivemos a oportunidade de presenciar um casamento típico japonês, com a procissão da noiva atravessando o pátio em absoluto silêncio.

Casamento











Aquela cena do filme Lost in Translation me veio à cabeça. Apesar de ter odiado o filme por ser um estereotipo barato, lembrei daquele trecho onde aparece a noiva.

No casamento shinto, pouquíssimas pessoas acompanham essa parte da procissão, quando o casal se dirige ao templo para purificar-se, beber sake e fazer oferendas aos kami, os deuses Shinto. Na fila aparecem somente os amigos e família muito próximos. Depois, rola a festa grande, quando junta-se a “galera geral”, que pode chegar a 200 convidados.

Em 1991, 12% os casamentos no Japão ainda eram “arranjados” entre as famílias. O número ainda é grande, mas nada comparado com os 40% de 1973, por exemplo.


Clique no para ver o album maior em outra janela.

Day 3- Tokyo - Omotesando

After Yokohama, as it was a Sunday, the obligatory spot to go in Tokyo is the Harajuku area, where the young Japanese gather dressed in "Harajuku style".

Harajuku Station and Yoyogi Park are very close to Omotesando, the fashion-trendy street of Tokyo, especially famous for the contemporary design of the shops.

That’s why we decided to check the architecture, while having another anthropological experience in Japan.

Omotesando street (and Aoyama street– that’s the continuation with a different name, some 2 km east from Yoyogi park entrance) is a collection of commercial architecture that’s world-wide famous among architects. SANAA, MVRDV, Tadao Ando, Toyo Ito, Herzog & De Meuron, many others (and other architects to come- there is plenty of space for new buildings, if replacing some buildings is so easy in Tokyo, why not there?) are the stars who designed in Omotesando.

To be honest it is somehow disappointing to visit commercial building after so many public interesting projects. That's something that I had already realized at Mikimoto Store in Ginza by Toyo Ito: as the commercial architecture has one goal, to be commercial, there is no room for great spatial inspiration. The freedom of the architects to create interesting spaces is reduced to almost zero.

There is one important exception: the Prada Aoyama store by Herzog & de Meuron, where it’s really worth to go in and take a look at the “lounge” tube areas and the views from the stairs (not allowed to take pics inside- but if you carry the camera and take pics randomly without looking at the screen you can!).

The outside design of all buildings is always impressive because of the quality of details and materials. That’s what impressed me the most in this trip to Japan.

Besides these buildings (there are around 15 of them in a 3 km long street), Omotesando is not more than a green corridor with fashion victims, lots of foreigners and architects walking around. It was not one of the highlights of the trip, but certainly a must in the list of buildings to see in Tokyo.

Day 3- Yokohama Ferry Terminal

After visiting the Moriyama house, I just realized that I was 15 minutes away from Yokohama by JR. And I was lucky to have a Tokyo map given by the tourist information counter, where the center of Yokohama was included.

Foaaerial






















The fact is that the highlight of the city is the Foreign Office Architects (Alejandro Zaera-Polo and Farshid Moussavi), the International Ferry Terminal. And it's quite close to a JR station, on the same line that connects Ueno to Moriyama house and the center of Yokohama. You don't even need to get down at Yokohama station, you just wait 4 more minutes, and at Kannai station you may ask the JR Station guards and they'll give you a detailed map of the area.

The ferry terminal is 20 minutes walking from the station (I did it in 8 minutes, since I promised Toni to go back to the city at 11am, it was already 9:45 and I still had to see the project and take the 45 min train back to the hostel).

I got there... sweaty, let's say. Running in Japan can be tricky: in a normal speed, you shouldn't cross the pedestrian red lights, you should respect the pace of the pedestrians, be careful whenever there is a bike coming... but I couldn't help it, and I swear that it makes you feel really really bad, much more than in other places.

Disrespecting the law in Europe or anywhere else where laws exist doesn't lead to so much the guilt as you feel in Japan. I still don't know if it has to do with the complicity that the awesome organization creates, or maybe the cleanliness of the streets and urban space are just subjugating you as a foreigner. I almost got killed several times and almost ran through some old ladies on their relaxed morning walking at the park.

The project is very interesting. Even after reading so much and seeing so many pictures, the feeling of the "landscape roof" is impressive. Probably because the scale is much bigger than I thought, the terminal from the roof seems endless. The materials are still in shape, this has to do with the Japanese construction skills and also the simple selection by FOA architects: wood, steel and glass. The wood is Ipe from Brazil (ok, so many ipes almost extincted in Brazil, wouldn't it be easy to try to use some other type of wood?!?)..

The integration with the city is excellent, and early morning (for a holiday) is was full of people exercising, walking around and enjoying the undulating surface of the roof.

Check the pics, click on the picasa logo to see them larger.

14/05/2008

terremoto

Pausa nos posts do Japão para explicar um pouco dos acontecimentos após o terremoto em Chengdu.

Logo naquela tarde da segunda-feira eu tinha saído do trabalho por conta de uma folga que tirei após ter trabalhado intensamente durante o fim-de-semana. Nos minutos do terremoto eu estava na rua perto de casa, e não senti absolutamente nada.

Os meus colegas do escritório, no 18° andar, me contaram que sentiram as cortinas mexendo-se, e logo quando se levantaram para correr para a escada de emergência o chão balançava todo. Em Shanghai o tremor foi sentido nas torres, mas não houve nenhum desabamento.

A previsão de mortos é assustadora. A região é bastante pobre, é mais ou menos na área onde fomos passar o feriado de outubro, em Langmusi. O grande problema é que a grande maioria das construções não está preparada para o terremoto, pois as condições de vida naquela região são paupérrimas. Construir de forma segura é algo que demora décadas para ser conseguido, e depois de ter estado no Japão e ler sobre a história das cidades, digamos que as coisas no país vizinho chegaram ao nível que têm hoje graças ao desenvolvimento econômico e o fato de terem reconstruído cidades inteiras várias vezes. Tóquio foi reconstruída três vezes, por conta de um incêndio, terremoto e Segunda Guerra. A construção segura é resultado de muitos suor e lágrimas, e é algo que a China ainda está muito distante. E assim cada terremoto a médio prazo será sempre uma catástrofe.

No trabalho pediram doação de sangue para as vítimas. Todos se inscreveram, mas no final somente uma pessoa por escritório fará a doação (parece que com isso já terão o suficiente, tendo em conta o tamanho de uma cidade como Shanghai de doadores potenciais).

Também pediram doação em dinheiro. Na televisão centenas de personalidades aparecem colocando dinheiro em urnas. Não sei se será algo cultural ou não, mas ao invés de colocar um envelope fechado, discreto, aparecem com as notas soltas, para que todos vejam o quanto doaram, como uma redenção ao vivo para que o Big Brother do Partido veja quem são os bons cidadãos. Não significa que eu não queira colaborar. Eu nunca gostei de doar dinheiro, algo dentro de mim não confia em governo algum nestes momentos de tragédia, e com os problemas de corrupção na China seria ridículo da minha parte contribuir desse modo. Os chineses o fazem cegamente, pois essa relação deles com o partido, a grande mãe protetora de todos é indiscutível.

Fui falar com a secretária e explicar que prefiro outro método, e que o dinheiro que eu doar poderia ir parar em mãos erradas. Ela se assustou no início mas depois até gostou do gesto, e me deu a razão de doar roupa e comida ao invés de dinheiro.

Agora organizo a caixa e levo na polícia. Espero que saibam para onde enviar. As informações sobre locais de coleta são confusas e difíceis de encontrar.

Day 3- Moriyama House

Acordando cedo no dia 04 de maio, eu queria aproveitar para visitar um outro projeto que não é fácil de encontrar em Tóquio. A verdade é que dos projetos do SANAA, a grande parte fica fora da cidade, a loja Opaque não tem graça alguma (como toda arquitetura comercial dos arquitetos-estrela no Japão- falarei sobre isso no post sobre Omotesando), e as Small House e House in a Plum Grove não me pareciam tão interessantes a ponto de valer a pena o esforço de ir ate lá por serem muito impermeáveis ao visitante. E um outro projeto residencial, Okurayama em Yokohama, ainda não está pronto.

Por outro lado, a casa Moriyama é instigadora e curiosa.

click on the picasa logo to see larger pictures in another window.

Ryue Nishizawa, o arquiteto do SANAA realizou este projeto no seu escritório separado da Kazuyo Sejima (nunca entendi como eles conseguem trabalhar de forma junta e separada aleatoriamente). Saindo da estação Kamata da linha Keihin-Tohoku do JR, caminha-se uns 15 minutos em direção noroeste. O bairro muito tranqüilo de ruas estreitas e casas uni-familiares, é muito compacto e medíocre. Cheguei por volta das 8 da manha de um feriado, ou seja, tinha a casa praticamente para mim, com toda a tranqüilidade do mundo, porem com um inconveniente: assim como a casa é totalmente aberta ao pedestre, eu tinha que caminhar fazendo o mínimo barulho possível para não acordar seus moradores.

No total são 6 famílias morando ali. A solução do arquiteto foi radical. No lugar de propor um edifício convencional de 6 andares, espalhou o programa pelo terreno em pequenos cubos interconectados ou não, chegando a separar o programa de cada família em diferentes cubos, dependendo de suas necessidades.


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O proprietário das casas mora em 4 cubos separados e tem a maior metragem quadrada: os cubos A, B, C e D pertencem ao casal que, orgulhoso do empreendimento, comprou todos os móveis de design SANAA, deixa as cortinas abertas e gosta do estilo de vida imposto pelo arquiteto. São eles que têm a sua sala de televisão e banheiro do lado de fora. Ou seja, seja no frio ou no calor, intempérie ou não, deve-se sair da casa para fazer usar o banheiro, ou ir buscar um copo que alguém esqueceu na sala. É engraçado, radical e assustador. A foto do casal fazendo pose no projeto, pendurada na sala de estar demonstra a paixão de morar na “obra-prima”. 

Os proprietários alugam as outras unidades.

“E” tem dois andares e o banheiro fica no subsolo.

“F” tem três andares, sem subsolo, banheiro no segundo andar.

“G” tem somente o térreo, o banheiro fica em “H”,conectado por um túnel de vidro, e a cobertura é usada para fazer festas (é o “lounge” coletivo do pessoal)

“I” tem dois andares, banheiro no subsolo.

“J” tem somente o térreo, com banheiro integrado, é a menor das unidades.

O projeto já tem três anos, e eu imaginava que depois de algum tempo haveria mudanças no projeto e adaptações. Na verdade a única coisa acrescida é a cortina feita de lençol dos inquilinos dos cubos G, I e J, móveis externos tanto de designers (uma Bertoia no “lounge”) quanto vulgares de madeira velha, um anão de jardim e poucas plantas. Dois dias no Japão já eram suficientes para entender que aquele seria definitivamente o único pais do mundo onde a radicalidade desse projeto seria possível, e onde tudo estaria inalterado, sem grades, porteiro e cadeados.

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É impressionante a manutenção dos aspectos originais da casa e o seu caráter inovador, a relação de vizinhança criada entre os moradores e o micro-ambiente (micro-bucólico) possível dentro de um bairro ultracompacto e denso. As dimensões ínfimas são as típicas de Tóquio, e os inquilinos devem estar mais do que acostumados a viver num espaço único + banheiro. A parte mais interessante do projeto radica na sua capacidade de repensar a relação entre cheio e vazio e permitir que o espaço coletivo de circulação, sempre “perdido”, se transforme em espaço público.

Apesar do arquiteto ter tido o cuidado de não coincidir janelas e garantir certa privacidade aos moradores, morar nesta proposta supõe aceitar o convívio entre vizinhos e compartilhar espaços,  festas e jantares. A idéia é bonita. Não sei o quanto isso pode ser verdade numa sociedade tão individualista como a japonesa, porém é verdade que o projeto é generoso e ao menos permite essa possibilidade através dos espaços intersticiais. 

View Larger Map

Day 2- Tokyo- Urban scenes

Random urban scenes pictures taken during day 02 in Tokyo. The evening pictures are taken at the neon-district of Shibuya.

Probably the most curious pic is the one of the “smoking area” at Ueno Park (12th picture in the album). Tokyo is divided into several districts, and recently some of them applied serious anti-smoke laws. So if you want to smoke outdoors, you should go to the restricted area surrounding the “smoking area” sign! Great, ahn? How long will we wait to have such laws applied here in China?!? (irony mode ON)

 

Day 2- Japan Freaks part 01

So we were reading our guide, our Lonely Planet... (Aaargh, I know, I couldn't help it, it was the only one available at the bookshop in China, and yes, I can't trust it so much after reading the guide to Brazil. The test is simple, read the guide about your own city, you'll realize how many bullshits they tell).

Aaaanyway, in the guide there was a page explaining about Nekobukuro, a place located on the 8th floor of a department store, where cats are available for cat-lovers who won't be able to have pets at home. Japanese flats are too small and the solution for that is to provide people all the services needed, including home-theatre rooms charged per hour (we've seen that inside Bagus cyber cafe), all types of relaxing cafes with magazines and newspapers and snacks machines, and also freak stuff like Nekobukuro.

Heading east from Ikebukuro JR station, at the 8th floor of the Tokyu Hands Store, you'll find a huge pet store with all the most stupid things you can imagine for your dog/cat/golden fish. Hundreds of useless items, clothing, sweet delights, food, lights, whatever you can imagine. (the first 8 pictures of the album below)

I was never attracted to cats. We always had dogs at home, and I’ve always felt keener to build a friendship with an animal that comes to say hello whenever you enter the house. A cat... well... a cat is in its own world, and in the end the relationship with the owner is always tense. This is what I learnt from Boleta, our cat living with us since last year. Now I know that I love her, but it took a while to understand her logic, her timing (the moment when joy becomes fury and she attacks the hand that's caressing her), the difficulty on socializing with strangers, etc.

So we wanted to experience this moment together with some Japanese freaks, and paid the 600 yen for the entrance, without really knowing what to expect.

There are three rooms, more or less 60m2 with super kitsch decoration, and some 15 bored cats trying to sleep or escaping from other 30 Japanese freaks chasing them to play. Some of them are put in a safe area inside themed displays (the ‘kitchen’, ‘the train’, all seeming to seek some weird cartoon atmosphere).

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That was the strangest anthropological experience we had in Japan. Please wait for the post called Japan Freaks part 02.

click on the Picasa logo to open the album with larger pictures

Dia 2 – Ueno Park

Tínhamos tentado reservar de manhã um trem para Sendai para visitar a Midiateca do Toyo Ito, mas por conta do feriado todos os trens estavam cheios. Assim, conformados com a impossibilidade, acabamos dedicando mais tempo ao parque de Ueno.

Trata-se de um dos parques mais visitados da cidade, e os caminhos que cortam as áreas com grandes árvores, conectando edifícios públicos muito importantes, além do zoológico e uma área de templos, estava repleto de famílias, malabaristas, músicos e muitos gatos vira-latas(!!).

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Não é preciso dizer que a parada mais que obrigatória é o Museu de Arte Ocidental, projeto de Le Corbusier, embora nos últimos anos tenham sido somados ao percurso de arquitetos dois projetos interessantes: o primeiro, a Biblioteca de Literatura Infantil, projeto de reestruturação de um edifício histórico por Tadao Ando, infelizmente estava fechado naquele dia. O segundo, a coleção dos tesouros Horyuji do Museu Nacional de Tóquio, projeto de Yoshio Taniguchi, é uma espécie de jóia de excelência e discrição.

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Clique para ampliar a foto aérea e ver a posição dos três museus.

Coleção dos tesouros Horyuji do Museu Nacional, Yoshio Taniguchi

O edifício fica dentro do conjunto do restante do Museu Nacional, e pode ser comprada uma entrada separada (mais barata) somente para essa coleção. 

Um espelho d'água muito raso e revestido do mesmo granito do piso serve de recepção para o visitante que chega através de um pequeno caminho entre as árvores. Um desvio do caminho faz com que o visitante se detenha no espelho d’água e repare na sutileza do design da proteção do desnível, feita de finos perfis de alumínio que mergulham na água.

O purismo da forma resulta da lógica clara de uma caixa que contém as salas de exposição completamente isoladas da luz natural, e uma pele exterior de vidro que acaba criando um espaço intermediário que contém a circulação, a sala de leitura e a recepção.

Nationalmuseum
























O uso de poucos materiais e a delicadeza da proporção dos elementos verticais em ferro, as juntas da parede alinhadas às juntas do piso, e a excelente qualidade nipônica de materiais e design fazem do projeto um exemplo da elegância da arquitetura contemporânea.

O projeto de exposição também é de uma poesia ímpar, onde quatro grandes salas escuras contêm vitrines muito bem iluminadas num ambiente de contemplação e silêncio.

Museu de Arte Ocidental, Le Corbusier

O milionário colecionador Kojiro Matsukata (1865-1950) tinha uma coleção de pinturas e esculturas européias do inicio do século XX, guardadas em Paris. Depois da Segunda Guerra Mundial, o governo francês, tendo ficado com a coleção, propôs a devolução da maioria das peças para a construção de um museu em Tóquio.

O projeto foi proposto a Le Corbusier, que faz a sua primeira visita ao país em 1955. Estranhamente, o Japão acabou não deixando impressão positiva alguma no arquiteto. Apesar da forte presença de arquitetos japoneses no escritório da rue de Sèvres, Le Corbusier acaba por não sentir empatia alguma, como se pode ver através dos seus relatos e croquis das visitas feitas no Japão. A visita à casa de verão de Katsura, em Kyoto, que tantos arquitetos modernos tinham visitado e admirado, resulta numa critica sobre essa “arquitetura sem muros” da tradição japonesa. Toda referencia ao Japão é ressentida e o tom de ironia e desprezo são onipresentes. O paradoxo inevitável dessa negação: quão próxima da definição de “planta livre” se encontra a arquitetura japonesa com seus painéis deslizantes!!!

A falta de interesse é patente no projeto do Museu em Tóquio. Le Corbusier imaginava poder realizar uma continuação dos seus estudos para o Museu do Crescimento Ilimitado, projeto de 1939. O projeto foi deixado a um plano secundário pelo arquiteto, e a construção esteve muito aquém do esperado, tanto no que diz respeito a detalhes de construção como espaco expositivo para uma coleção de arte tão importante.

 

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O térreo é usado para a recepção, loja, café e uma pequena área de exposição temporária, com vista para o jardim. O centro do térreo é ocupado pelo espaco mais importante do museu, a galeria do século XIX, com esculturas de Rodin. O espaço seria muito escuro se não fosse pela iluminação artificial vinda de imensas lâmpadas penduradas da abertura no teto, e mesmo assim o espaço é sombrio e logo depois de visitar tanta arquitetura contemporânea japonesa em que a luz natural é manipulada de forma inteligente e generosa, estar naquele espaço corbusiano me dava uma certa sensação mista de nostalgia daqueles anos de descobrimento da arquitetura dos anos 50 no Brasil e Europa, e a ojeriza ao ambiente aparentemente úmido e pouco acolhedor que a falta de concessões sempre causa em muitos de seus projetos.

Lecorbusier

















Apos inúmeras mudanças, o projeto realizado acabou tendo espaços contraditórios para o uso de museu, se considerarmos o caráter das obras de pinturas que ele acolhe, pois enquanto a planta é imaginada de forma a permitir o percurso de círculos fechados em si (a espiral tendo sido anulada, o que restou foram anéis de circulação coincidentes e em sentido oposto), os espaços de exposição não parecem adequados, deixando nas mãos da iluminação artificial a salvação daquelas obras.

Há um mezanino no andar superior, como uma espécie de caixa de vidro suspensa, acessível por duas escadas situadas em duas laterais, escadas de dimensões tão pífias que acabaram inabilitando o uso do mezanino. Infelizmente são espaços que não fazem parte do museu e não são acessíveis.

Houve uma ampliação do museu, feita por Kunio Maekawa em 1979, que acabou ignorando o fator de “crescimento ilimitado”, e realizou uma ala conectada ao museu existente, que é usada para exposições temporárias.

13/05/2008

Day 2 - National Art Center

After sleeping for 9 hours, recharging batteries from the 18-hours non-stop walking tour of the previous day, we headed to the National Art Center, in Roppongi Area.

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The museum, designed by Kisho Kurokawa, is open since January 2007, and features mostly temporary exhibitions, not having a relevant permanent collection.

The urban situation is interesting, the entrance to the area of the museum is done through the eastern side, and you never have a real frontal view of the impressive curved glass facade. After walking inside the garden, a small detached volume to the left is the cloakroom (being still outside, I believe it’s mostly an umbrella room, since Japanese are obsessed with their fancy umbrellas), the coats probably have a place inside the building.

Right behind it, a Kurokawa’s signature glass cone marks the entrance. In between the exhibition rooms and the glass facade, two inverted concrete cones are the most impressive elements of the space.

Nationalartcenter





































The atrium is enormous and the citizens use it as a gathering place in the several cafes and one fancy restaurant. Unfortunately the huge concrete cones are not accessible. I first thought that they could be used as The ground floor of the smaller one is used for toilets and probably the middle floor for storage. The bigger cone is blind, one door leads to a restricted area, also probably storage for the cafes.

The exhibition area is a huge neutral background for the inverted cones, since the walls are covered with a light surface and vertical wooden elements, very Japanese style as shoji panels.

The underground is used for the lockers area, cafe and museum store (actually one of the coolest small design shops I've seen!!!)

Day 1- Shinjuku

We headed to Shinjuku area in the evening. Even with the pain in the feet due to the over-loaded first day in Japan, and being walking for the last 15 hours, we wanted to experience a bit of the non-stop Tokyo, at the heart of one of the busiest metro/train station in the planet.

The idea was to first go to the top of the Metropolitan Government Offices Towers, by Kenzo Tange, two incredible skyscrapers on the west of the station. The observation deck on the 45th floor is amazing. The access is free of charge, and it’s open till 11pm. Interesting to see that Tokyo is a much lower-scale city than Shanghai or Sao Paulo. It means that the biggest city in the world is quite spread, and the conurbation includes several towns which used to be separated. 

Tokyo is not 100% about neon lights. Thanks God. We foreigners are somehow allergic to neon lights, it means, they are nice in the pictures, but we wouldn't to spend our lives looking at them. Doesn't seem that Asians care about that. Bangkok, Shanghai and Japanese cities are blinking cities. But in Tokyo that happens in a more intense scale at some areas where the 24-hours services meet the hyper-urban environment, important train stations and facilities as capsule hotels or comfortable “sleep-in” cyber cafes.

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So after visiting the tower we wanted to walk around Eastern Shinjukuand the red-light district. Let’s say that the “red-light” is far from being something like Amsterdam.The business are quite discreet and the streets peaceful. We had dinner in a tempura restaurant; in the picture you can see the chef. 

The tower in construction at the picture number 3 in the album is a project by Kenzo Tange, the Tokyo Mode Gakuen Cocoon Tower. Click on the Picasa logo to enlarge the album in another window.
 


Day 01 -Seikei Library, Shigeru ban

After the magnificent Ito’s project at Tama University I headed to Seikei Library, without knowing at what time they would close. Since this was the only day available to visit it, I had nothing to lose going there. I just needed to hurry. After one change at Hachioji back to the Chuo JR line, I got down around 7:15 at Kichijoji JR Station. Running like hell towards North, I was lucky to find a very nice lady in a tourist information cabin, she gave me the coordinates. After a 10 minutes walk through a very nice ordinary Tokyo neighborhood, I finally reached the University. 

 

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I have to admit that this is the project I knew less about from the entire list I brought with me. So I didn’t know exactly what to expect. 

From the outside, the building is quite massive, two opaque boxes, symmetrically separated by a glass atrium, the most interesting space of the project. Shigeru Ban was asked to replace the former building and respect the neo-classical environment of the campus. That’s why the external aspect is quite sober and hermetical, he couldn’t escape from that. The lateral boxes hold the book collection and are structurally independent. 

Seikei

The atrium is the space where the architect plays with the space in order to create an internal exciting environment, with white bubbles floating in the air and connected through flying bridges. The main entrance is right in the middle, from where you can have an impressive view of the void, especially in the evening, when that space seems to be part of a science fiction scenario. 

The interesting aspect of the mushrooms is that it allows groups of students to study and discuss, and even use their mobile phones, without disturbing the rest of the people. The atrium is still part of the “public space” within the library. For more quiet study areas, inside the lateral boxes there are plenty of rooms for that. The connections of the bridges are complex, and the variety of spatial feelings allows a certain endless interesting promenade. 

Fortunately I was allowed to take pictures, since I promised not to take pics of the students. :)

Dia 01 -Tama University Library

Dia 01 – Tama University Library, Toyo Ito

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Parte difícil do dia em Tóquio. As duas bibliotecas que ficam bem fora de mão na cidade estariam abertas somente no dia 2 de maio, pois os dias 3, 4 e 5 são feriado no Japão. Trata-se de dois projetos bem recentes, a Biblioteca da Universidade de Artes de Tama, e a Biblioteca da Universidade de Seikei. O primeiro projeto, de autoria de Toyo Ito, é uma solução brilhante dentro de um campus já saturado de construções datadas dos anos 1950, 60 e 70.

  A biblioteca ocupa uma área situada próxima à entrada principal do campus, afastado 10 minutos em ônibus da estação Hashimoto do JR (a uns 40 minutos do centro de Tóquio).*

A primeira característica que mais chama a atenção é a leveza da malha de arcos, que tem uma lógica estrutural irregular – cada arco tem dimensão diferente do outro e remete mais a uma espaço de uma caverna do que qualquer referência ao arco da arquitetura ocidental. A beleza da leve curva em planta que envolve a chegada à porta principal ajuda a abrir o projeto para o interior do campus, ao invés da rua lateral.

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maquete da estrutura


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Logo em seguida, leva-se um susto com a implantação e a solução do arquiteto (ou mais uma provocação) do pavimento térreo. O declive do terreno é integrado ao projeto de forma inalterada. Todo o piso do térreo segue o declive natural, o que à primeira vista causaria mais problemas do que soluções. Como ocupar uma planta de uma biblioteca com 7% de inclinação? O arquiteto sabe dos limites de sua proposta, e acaba concentrando no térreo as partes “públicas” que podem ser usadas de forma pontual ou temporária: poltronas reclinadas na direção do declive, mesas fixas recolocadas no prumo normal, bancos com a base em forma de meia esfera, que permitem compensar a inclinação, e usos mais flexíveis como sala de projeção, televisões individuais com poltronas adequadas, e uma mesa de exposição de novas aquisições da biblioteca.  Uma pequena área é nivelada e permite o uso da recepção e área técnica das bibliotecárias.

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No andar superior, todos os livros organizados num sistema de prateleiras ora suspensas pelos arcos, ora dispostas como estantes baixas em forma linear e curvilínea, concentradas nas áreas centrais da planta. A área de leitura é disposta em mesas rentes às grandes janelas que se debruçam sobre a paisagem verde. É impressionante a simplicidade do mobiliário, que Toyo Ito dispõe com maestria no espaço, tentando minimizar a sua presença, seja através de um design minimalista (como no caso das luminárias do teto), como reduzindo o objeto a um imaginário que “neutraliza” o peso do design na imagem que se percebe do espaço. As cadeiras individuais e as mesas de estudo têm um design neutro, enquanto alguns sofás pretos de desenho orgânico chamam a atenção.

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O teto do segundo andar tem um leve declive, oposto ao declive do terreno, o que aumenta a sensação da luz vinda do norte, e sob ele não há nada além das luminárias e poucos sensores de fumaça. Toda a parafernália de ventilação está embutida no chão, na laje entre o térreo e o piso superior. Sensação estranha é essa de ter os pés mais frios do que a cabeça, nem que seja por décimos de centígrados, mas a solução limpa e inteligente é sagaz.

Foi uma excelente tarde passada na biblioteca, vendo os alunos usufruindo o edifício com um leve toque de graça e humor, pois talvez este seja um dos poucos edifícios do mundo em que o declive de um pavimento esteja tão integrado ao programa, mobiliário e uso, além dos acessos e vistas ao exterior.

* Ao chegar na estação Hashimoto, na saída norte, descer à plataforma 6 do ônibus da cidade. A linha se chama Tama Bijutsu Daigaku, e a parada final é no campus. O ônibus passa a cada meia hora mais ou menos.

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12/05/2008

Dia 01- Restaurant Sant Pau

Quando percebemos que estaríamos em Ginza, lembramos que a Carme Ruscalleda tinha um restaurante na área, e entramos na web somente de curiosidade para saber como era.

Depois de ter estado no restaurante dela em Sant Pol de Mar - e deixar as calças por conta do preço, apesar de ter sido a melhor refeição de toda a minha vida - tínhamos a curiosidade de saber como seria. E nos deparamos com a surpresa de um menu do almoço, por meros 35 euros (uma bagatela para a qualidade do restaurante), e telefonamos para reservar. E qual não foi a surpresa de encontrar a mesma qualidade de serviço, as garçonetes japonesas falando catalão (!) e a cozinha aberta, como sempre- neste caso a vitrine da cozinha dá para a rua, al
ém, é claro, da qualidade fenomenal dos pratos.

Um mimo esse negócio de comer num restaurante catalão no Japão, n
é? Mas a verdade é que 9 meses de Shanghai... sem mais detalhes... era preciso, era preciso...

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Destaque para o atum servido com arroz selvagem, sorvete de framboesa e "ketchup de morango", e uma das sobremesas, a pera ao vinho, servida numa esfera (com as gelatinas e quimicas criadas pelo Ferran Adrià), dessas que dissolvem na boca.

 

Dia 01 –Ginza

Depois do café-da-manhã mais fresco e barato de Tokyo, logo às 7:30 da manhã estávamos prontos para fazer o tour de Ginza. A história do bairro remonta ao século XIX, o bairro financeiro da cidade. Assim como quase todo o resto de Tokyo, depois de incêndios, terremotos e finalmente o bombardeio de 1945, o bairro foi reconstruído do zero, e transformou-se na zona de luxo, escritórios e lojas exclusivas. Interessante malha urbana regular de quarteirões muito estreitos, o bairro é facilmente atravessado a pé. Uma pena que no nosso calendário fosse dedicada uma manhã a esta visita, pois as ruas estavam bastante vazias. O novo projeto da Fundação Nicholas Hayek, que é bem mais interessante com as grandes vitrines abertas, deixou bastante a desejar na foto.

A parte boa foi achar a Big, uma das maiores lojas de fotografia da cidade, bem em frente ao projeto do Viñoly, onde achei filme de slide bem barato para a Lomo LCA e Holga. 

Os ícones da arquitetura moderna estão ao sul do bairro, tocando o elevado, enquanto a arquitetura contemporânea espalha-se pela área centro-oeste, em direção da estação “Tokyo” do JR.

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Entre eles: 

Kisho Kurokawa, Nagakin Capsule Tower

Kenzo Tange, Shizuoka Press and Broadcasting Center

Toyo Ito, Mikimoto

Shigeru Ban, Nicolas G. Hayek Foundation

Kiyonori Kikutake, Le Theatre

Sanaa, Opaque

Renzo Piano, Maison Hermès

Yoshinobu Ashihara , Sony Building (o menos interessante de todos)

Rafael Viñoly, Tokyo International Forum. 

Depois da visita a Ginza fomos ao Palácio Imperial, visita absolutamente prescindível da cidade. Depois de também bombardeado na Segunda Guerra Mundial, a reconstrução em ferro dos anos 50 não é interessante, os jardins são mais do que comuns, e digamos que numa cidade fervilhante como Tóquio, e com a possibilidade posterior de ver jardins exuberantes em Kyoto, essa parte do dia foi uma burrice tremenda.

 


Dia 1 – Acordando com as galinhas, ou melhor, os peixes!

Pois bem, numa semana dos principais feriados nacionais japoneses, o único dia de visita possível ao famoso mercado de Tsukiji, o chamado “maior mercado de peixe do mundo”, era exatamente na madrugada logo após a chegada ao Japão. Mal conseguimos ir dormir à 1 da manhã (faça o check-in antes das 10pm no Japão!! você corre o risco de passar maus bocados com o dono do hostel sonâmbulo e mal-humorado te dando bronca na recepção), o alarme logo toca às 4, para dar tempo de uma ducha, juntar informação e mapas e sair correndo para pegar o primeiro metrô, o das 5 da manhã. Pegar o metrô mais tarde significa chegar muito tarde ao mercado, e perder uma das cenas mais fotografadas e interessantes da alvorecer de Tokyo, o leilão dos atuns.

Para os marinheiros de primeira viagem, vale a dica: se você chegar ao Japão com o passe de trem da JR (JR Pass), pode usar livremente toda a rede de trens de Tokyo, que é uma malha incrível que cruza toda a cidade e inclusive tem uma linha especial em forma de anel ao redor do centro da cidade, com as paradas turísticas mais relevantes. O transporte público japonês é algo difícil de explicar: é talvez o melhor do mundo, anos-luz à frente de qualquer outro país, sem sombra de dúvida. Alguns dos dias usamos somente essa rede de JR, para economizar, claro, e é bastante conveniente. 

No dia do mercado, porém, a melhor opção é pegar o metrô. Como sabíamos que usaríamos a rede do metrô em vários dos programas do dia, a opção foi comprar o passe diário da rede Tokyo (cuidado, a cidade tem duas redes, que pertencem a duas empresas diferentes, o passe exclusivo de uma não dá direito a usar a outra – o bilhete diário da rede Tokyo custa 750 yen, e o integrado das duas redes 1000 yen). 

Por sorte, Minamisenju station e Tsukiji station ficam na mesma linha, a cinza. 

O mercado é gigantesco. Primeiramente passa-se por lojas que vendem utensílios para a culinária japonesa, alguns “botecos” de comida rápida e armazéns enormes, onde são vendidas verduras e frutas. O mercado de peixe é difícil de ser achado, digamos que fica na parte sudoeste, bastante afastado da avenida principal. Antes de chegar ao leilão propriamente dito, deve-se passar por corredores estreitos, onde se disputa o espaço com a passagem dos carrinhos elétricos conduzidos por motoristas doidos (para nosso cérebro que ainda está acordando), levando caixas pra lá e pra cá. 

A variedade é imensa, e o que mais impressiona é a limpeza do local. É o único mercado de peixe que eu conheci que não tem cheiro de peixe. A assepsia é a garantia de continuidade, pois qualquer contaminação dos alimentos fecharia o mercado, e com o rigor da lei japonesa, ninguém quer correr o risco. 

Chegando à parte do leilão, vemos o impressionante galpão forrado de enormes atuns congelados (eu achava que o peixe era sempre fresco, e não congelado...valham-me leis de vigilância sanitária!), e rodas de senhores entre seus 30 e 50 anos, com bonés numerados, pessoas gritando números, outros anotando, outros escrevendo nomes numa lousa, e ainda os últimos escrevendo com tinta vermelha os nomes dos compradores sobre os peixes.

Fishmarket

 
















A parte interessante de chegar cedo é que a tolerância com estrangeiros é bem ampla no início. Os madrugadores têm a chance de fazer as fotos como aparecem logo abaixo, enquanto logo depois, lá pelas 6:30, quando o número de gringos aumenta, o cerco para proteger a área de bisbilhoteiros é fechado. De todos modos, há uma área que é sempre restrita, dedicada aos peixes especiais. Especiais nem tanto, são um pouco maiores, quiçá de carne especial, mas a graça está em poder chegar perto. 

No caminho de volta, bichos bizarros, ostras imensas, mariscos, polvos, os atuns recém-comprados pelos donos das barracas e sendo cortados para os restaurantes que eles representam. 

Às 7 da manhã já é hora do café-da-manhã. Enquanto voltamos em direção da estação de metrô e os pequenos restaurantes, uma horda de gringos atrasados correm em direção ao mercado. Perdeu preibói. Tarde demais. 

E então assim começa o primeiro dia em Tokyo. As últimas fotos do álbum são num restaurante comendo o sushi mais fresco da face da Terra, preparado no coração da cultura da gastronomia japonesa, o mercado de Tsukiji!